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Como voltar num projeto que a IA escreveu há 6 meses
Você abre, não reconhece nada e precisa mudar uma coisa. Existe uma ordem de reconhecimento que evita as duas saídas ruins: mexer no escuro ou reescrever tudo.
Você abre um projeto seu de seis meses atrás porque precisa mudar uma coisa.
E não reconhece nada.
A partir daí existem duas saídas ruins e uma boa.
As duas saídas ruins
Mexer no escuro. Acha o trecho que parece certo, muda, testa a tela, sobe. Funciona nove vezes em dez, e a décima é um problema que você vai descobrir por reclamação.
Concluir que é mais fácil refazer. Sedutor agora que a IA constrói rápido. É quase sempre ilusão, pelo motivo que detalhei em quando reescrever do zero: o sistema antigo sabe coisas que ninguém escreveu.
A saída boa é reconhecimento antes de alteração. Em ordem.
Passo 1: coloca pra rodar
Antes de ler qualquer linha.
Sem ambiente funcionando, você não consegue testar hipótese, e investigação sem teste é leitura no escuro.
Esse passo costuma doer. Dependência que não instala, variável de ambiente que sumiu, versão que mudou. Resolve isso primeiro, e já anota o que foi preciso fazer, porque daqui a seis meses vai doer de novo.
Passo 2: segue um caminho inteiro
O passo que mais rende e o que quase ninguém faz.
Escolhe uma ação do sistema e acompanha do começo ao fim: da tela até o banco e de volta.
Um cadastro. Um login. Um pedido.
Em uma hora você aprende a espinha do sistema: onde ficam as telas, como elas falam com o servidor, onde mora a regra, como o dado é gravado.
Isso vale mais que um dia lendo arquivo por arquivo, porque mostra a estrutura real em vez da estrutura de pastas.
Passo 3: mapeia onde o dado mora
Segunda coisa mais útil.
Lista as tabelas ou coleções e o que cada uma guarda. Nome e uma linha explicando.
O dado é a parte mais estável do sistema. Telas mudam, regras mudam, o modelo de dados quase não muda. Entendendo ele, você entende o que o sistema é.
E é a informação que você mais vai procurar depois.
Passo 4: localiza a área da mudança
Só agora você olha o que veio fazer.
Encontra o ponto, e antes de mexer responde três perguntas:
Quem mais usa isso? Busca por referências. O que quebra se eu mudar? O alcance. Como eu testo que continuou funcionando? O critério.
Se for algo compartilhado por muitas partes, vale o método de mudar uma parte que o sistema inteiro usa, em vez de trocar de uma vez.
O que não fazer
Não tenta entender tudo antes de fazer qualquer coisa. É a forma mais comum de nunca começar. Entende a espinha e a área da mudança; o resto vem quando precisar.
Não reorganiza enquanto entende. A vontade de arrumar é grande e mistura duas coisas: se algo quebrar, você não sabe se foi a mudança ou a arrumação. Anota o que quer melhorar e faz depois, separado.
Onde a IA ajuda de verdade aqui
Esse é um dos melhores usos que existem pra ela.
Pede um resumo da estrutura do projeto. Pede pra explicar um arquivo. Pede pra rastrear onde uma função é usada. Pede pra descrever o que acontece quando tal rota é chamada.
Ela faz isso rápido e bem, porque é trabalho de leitura, que é onde ela é forte.
O que ela não faz é dizer por que as decisões foram tomadas. Esse é o buraco, e é por isso que registrar o porquê na hora vale tanto.
Você não precisa lembrar do projeto. Precisa de um método pra reconhecê-lo de novo.
A decisão é sua.
Perguntas frequentes
Perguntas rápidas
+Qual o primeiro passo ao voltar num projeto antigo?
Colocar para rodar antes de ler qualquer coisa. Sem ambiente funcionando você não consegue testar hipótese nenhuma, e investigação sem teste é leitura no escuro.
+Por que seguir um caminho completo ajuda tanto?
Porque mostra a espinha do sistema. Acompanhar uma ação da tela até o banco revela a arquitetura real em uma hora, o que a leitura por arquivos não entrega em um dia.
+Devo tentar entender o projeto inteiro?
Não. Entenda a espinha e depois só a área que você vai mudar. Tentar entender tudo antes de fazer qualquer coisa é a forma mais comum de nunca começar.
+E se eu concluir que é mais fácil refazer?
Costuma ser ilusão. O sistema antigo contém casos e exceções que a versão nova não terá, e essa é a parte que consome meses depois.
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